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Relatório da Reitoria da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro 2004

16/12/2008

Relatório da Reitoria da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro 2004
Autor: Padre Jesus Hortal

 

 

 

 

 

Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2004.

 

De:     Pe. Reitor

Para:  Membros da Assembléia Universitária

 

 

 

Meus caros colegas e colaboradores,

Neste encontro anual, que temos celebrado uma e outra vez, durante o meu já longo mandato à frente da Reitoria da PUC-Rio, tenho procurado traçar um quadro sucinto, mas completo da nossa Universidade. Faço isso não apenas como um dever, mas também e, sobretudo, com o desejo de partilhar alegrias e esperanças, dificuldades e realizações. Por sua própria natureza, a PUC é uma Universidade Comunitária, onde a solidariedade, a responsabilidade comum, o esforço de todos na consecução de nossas metas são indispensáveis. Estamos juntos e assim queremos continuar.

Ao completar mais um ano à frente da Reitoria da PUC-Rio, desejo expressar o meu agradecimento a todos os membros da Comunidade Universitária. Para que a nossa caminhada continue firme, vamos lançar um olhar sobre o ano que está para terminar: as suas sombras e as suas luzes. Devemos continuar sempre adiante, com ânimo redobrado, com esperança no futuro e com toda a confiança na ajuda de Deus que, palpavelmente, nunca nos faltou. Conto com todos, para que os nossos esforços não se tornem vazios, mas possam frutificar, ao longo de 2005.

 

 

 

                                                                                              Pe. Jesus Hortal, S.J.

                                                                                                Reitor da PUC-Rio


RELATÓRIO DA REITORIA 2004

 

 

Srs. Professores,

Srs. Membros do Conselho de Desenvolvimento,

 

 

I. Os problemas financeiros

Não podemos negá-lo: foi um ano árduo, marcado por problemas, não apenas de ordem administrativa e financeira, mas também em razão das dificuldades provindas das mudanças e incertezas políticas e legislativas. Um ano em que as instituições não estatais de ensino superior continuaram a sofrer os mesmos contratempos que já constatamos no ano passado. De modo especial, as Universidades comunitárias e confessionais atravessam uma conjuntura desfavorável, que poderia inclusive provocar o fechamento de algumas delas. O panorama que se delineava no ano passado continuou, durante este, com semelhantes características. A diminuição proporcional, por exemplo, dentro do conjunto do ensino superior no país, de alunos beneficiados com o programa de Financiamento ao Estudante (FIES), junto com o enorme atraso do MEC na atribuição do benefício, continuou a representar, para nós, uma dificuldade adicional. A mesma coisa se diga das taxas escolares para os bolsistas da CAPES e do CNPq, que embora tenham mantido um fluxo regular, foram reajustadas num valor bem inferior às perdas sofridas nos últimos anos. Acrescentem-se os problemas derivados da transição do Governo FHC para o Governo Lula e será fácil entender o porquê das dificuldades que passamos.

Essa conjuntura desfavorável nos obrigou, no último trimestre de 2003, a suspender temporariamente, para os professores do quadro principal e para os funcionários que exercem cargos em nível de chefia, o pagamento da última parcela do reajuste devido em virtude da convenção coletiva de trabalho. Devo reconhecer que a compreensão e a colaboração de todos foi completa. Por isso, desejo agradecer a atitude serena dos que se viram atingidos por tal medida. Logicamente, não poupamos esforços para colocar em dia as nossas obrigações, o que foi possível graças a toda uma série de medidas que tomamos, tanto emergenciais, quanto de longo e médio prazo.

Eram as medidas que já anunciei no meu relatório do ano passado e que continuaram a ser implementadas: a avaliação acadêmica, já prevista no nosso plano da carreira docente, mas só agora levada a cabo de modo completo; a implementação das normas sobre jubilação dos membros do corpo docente; o incentivo à aposentadoria de funcionários e professores que já sentem as forças diminuídas; de modo especial, o processo de orçamentação por unidade, que está sendo implementado, com o esforço de muitos. Todas essas são ações que nos permitiram fechar o ano com um desequilíbrio orçamentário menor do que no ano passado, embora ainda preocupante. A nossa meta, que parece perfeitamente atingível durante 2005, é conseguir o almejado equilíbrio, mas sem prejuízo da nossa capacidade de investimento. Todos somos conscientes de que, para preservar o nosso modelo de Universidade, precisamos de investimentos contínuos, na modernização e expansão de nossas instalações.

Para conseguirmos a colaboração de todos, temos procurado dar a maior transparência à nossa ação, não apenas através das informações transmitidas no Conselho Universitário e na Reunião de Diretores, mas também mediante um seminário específico realizado no Centro Loyola, durante um dia inteiro, com a participação de perto de oitenta pessoas. O nível de colaboração e interesse foi notável e quero publicamente agradecer aos que se empenharam na sua realização.

No nosso exercício financeiro, tem sido de fundamental importância a contribuição da Fundação Padre Leonel Franca, através da qual são gerenciados a maior parte de nossos projetos de pesquisa e serviços. Essa contribuição pode parecer pequena, se apenas contabilizarmos, em termos percentuais, os aportes monetários para o nosso orçamento anual. Contudo, além de servir também para a atualização de um bom número de laboratórios de pesquisa, tal contribuição nos permitirá este ano atravessar, com relativa tranqüilidade, o período mais difícil, do ponto de vista de fluxo de caixa, ou seja, os meses de dezembro a fevereiro.

 

 

II. O PROUNI, um problema a mais

As incertezas econômicas do país parecem menores atualmente do que aquelas que sofremos no ano que está para terminar. A inflação parece mais previsível e os cálculos e projeções para o próximo ano prometem ficar bem perto da realidade. Contudo, um novo fator de incerteza aparece no horizonte: o PROUNI, ou “Programa Universidade para Todos”. Inicialmente enviado como projeto de lei, perante as dificuldades para a sua aprovação, na versão que o Governo desejava, acabou sendo retirado do Congresso Nacional e promulgado como medida provisória, aos dez de setembro. A primeira questão que se levanta, do ponto de vista legal, é exatamente essa: era necessário tal ato? Havia “urgência e relevância” na matéria? Aprovado já pela Câmara de Deputados, numa versão que favorece fundamentalmente as instituições de caráter comercial e endurece as regras para as filantrópicas e comunitárias, encontra-se atualmente no Senado, aguardando votação.

A PUC está totalmente de acordo com o espírito da Medida Provisória, de promover uma maior inclusão social. Aliás, a nossa Universidade já vem praticando essa inclusão há muito tempo e com resultados altamente positivos. Acredito, porém, que o governo escolheu um caminho bem discutível. O debate ainda estava em aberto e as entidades representativas do ensino privado tentavam entender as propostas e dialogar com o Governo. Basta comparar o texto da Medida Provisória  com o relatório do deputado Irineu Colombo, que seria lido na comissão especial, para perceber que certos pontos já negociados com as nossas entidades representativas foram substancialmente alterados, incluindo a obrigatoriedade da inclusão no programa para as novas instituições filantrópicas. A adesão das IES privadas tem sido maciça, sim, como propaganda o Governo, mas, em grande parte, foi fruto de uma pressão quase insuportável, com ameaças de retaliação, por exemplo, através da exclusão do FIES.
A MP provoca igualmente dúvidas jurídicas sérias sobre um outro ponto. A regulamentação da imunidade fiscal reconhecida pela Constituição às entidades filantrópicas deveria ser feita, pelo menos, por lei complementar – não faltam os juristas que afirmam que seria precisa uma emenda constitucional – e não por legislação ordinária. Já o Governo FHC tentou um passo análogo e teve que voltar atrás, em virtude de medidas judiciais. O Supremo Tribunal Federal tem uma doutrina bem clara a este respeito. Contudo, por causa da mudança havida recentemente na tramitação das Ações Diretas de Inconstitucionalidade, as duas apresentadas contra o PROUNI – uma pelo PFL e a outra pela CONFENEM – têm pouca probabilidade de serem julgadas num prazo razoavelmente curto.
A Medida Provisória desperta igualmente outras dúvidas em relação à sua legalidade, pois interfere na autonomia concedida pela Constituição às Universidades, ao determinar, contra o que dispõe a LDB, procedimentos de ingresso especiais para os alunos beneficiados pelo PROUNI, a serem pré-selecionados, não pela própria instituição de ensino e sim pelo MEC, exclusivamente com base nos resultados do ENEM. 
A PUC-Rio vê igualmente sérias dificuldades na aplicação de uma política de bolsas que privilegia unilateralmente os alunos secundaristas das escolas públicas, pois também existem (e muitos!) alunos carentes na rede privada de ensino, especialmente nas escolas católicas, que concedem inúmeras bolsas não só integrais (as únicas contempladas pela MP), como também parciais, de maior ou menor porte, de acordo com a carência de cada aluno. Tais alunos, sem uma ajuda substancial, ficarão excluídos da Universidade. A sua única falta terá sido a de não ter escolhido a escola pública. Isso para não falar das percentagens que teriam que ser reservadas para afro-descendentes, indígenas, portadores de deficiência física e professores de ensino fundamental na rede estatal.
As próprias definições dadas pela MP são incompletas e incertas. Ela fala que as instituições filantrópicas, para cada nove “alunos pagantes”, deverão conceder uma bolsa integral. Num sistema de créditos, como o que existe na PUC, não fica claro o que significa “aluno pagante”. O que paga apenas dois créditos por semestre? E, se o bolsista escolhe matricular-se em trinta e dois créditos, como seria legítimo? Haveria, então proporção entre a renúncia e o benefício? O justo seria determinar a gratuidade em função da renda efetivamente arrecadada com anuidades e não em proporção ao número de pessoas que se matriculam num número variável de disciplinas. 
Ao estabelecer uma distribuição uniforme entre todos os cursos, habilitações e turnos, a MP ameaça com acabar com algumas das nossas graduações, como a de Serviço Social e a maior parte das licenciaturas. Nelas se concentra a maior parte dos atuais alunos bolsistas da PUC. Ao aplicar, porém as novas regras, a maior parte dessas bolsas não poderão ser contabilizadas para a filantropia. No Serviço Social, por exemplo, onde mais de 95% dos alunos são bolsistas integrais, dez por cento dos alunos pagantes significa uma fração inferior a um. Como as bolsas que não forem dadas dentro das regras do PROUNI não poderão ser contabilizadas para a filantropia, não haverá possibilidade de manter tais alunos beneficiados dentro da Universidade. Como falei, o mesmo vale para a maior parte das licenciaturas. Deveria, portanto, haver uma maior flexibilidade (hoje limitada a 25%) para a Universidade poder redistribuir as gratuidades pelos diversos cursos, de acordo com demanda.
A PUC-Rio também tem as suas dúvidas quanto à obrigação de canalizar metade dos recursos destinados legalmente à filantropia à concessão de bolsas exclusivamente integrais. Existem, certamente, muitos possíveis alunos carentes absolutos, que precisam de bolsa integral. Mas também existem muitos outros, que, sem uma ajuda parcial, não poderão cursar estudos universitários. Uma simples conta aritmética demonstra que quanto maior for o benefício concedido (100%) a cada um, menor será o número de beneficiados, e consequentemente teremos menos alunos bolsistas, resultado certamente inverso àquele pretendido pelo Governo. Do ponto de vista exclusivamente financeiro, a nossa Universidade não terá maiores dificuldades na aplicação da medida, mas há uma possibilidade real de que, no fim, nos vejamos constrangidos a ajudar a um menor número de pessoas do que aquelas a quem assistimos atualmente. De modo especial, nos preocupa o que acontecerá com os alunos provenientes dos pré-vestibulares comunitários (como os da EDUCAFRO), muitos dos quais, moradores de comunidades extremamente carentes, não se apresentaram ao ENEM, confiando no seu bom preparo, por causa desses pré-vestibulares, mas que por essa mesma razão estão impedidos de se candidatar ao PROUNI.. Em qualquer caso, um sistema de inclusão tão bem sucedido como o da PUC-Rio ficará desorganizado, com as novas regras. Além disso, ao não estar previstas no PROUNI ajudas para transporte, alimentação e material escolar, os alunos que ingressarem mediante esse programa terão muita dificuldade para permanecerem na Universidade. O exemplo do nosso Fundo Emergencial de solidariedade PUC (FESP) é bem eloqüente.
Há ainda muitas outras dúvidas sobre a aplicação da MP, pois a regulamentação é fragmentária e cheia de lacunas. Como o nosso vestibular já está em andamento, inclusive tendo sido realizadas as provas, há um forte fator de incerteza para os nossos candidatos, que gostaríamos fosse resolvido o mais rapidamente possível. Sem dúvida, haverá normas de transição. Em qualquer hipótese, deve ficar bem claro que a PUC-Rio não poupará esforços a fim de não prejudicar nenhum dos seus atuais bolsistas. As novas normas valem para os que ingressarem na Universidade daqui para a frente, não para aqueles que já se encontram nela.
Temos acompanhado e continuaremos a acompanhar, em todos os níveis, tanto políticos quanto técnicos, a tramitação desse projeto. Em espírito de colaboração, temos apresentado sugestões de emendas e aperfeiçoamentos. Os nossos temores não se dissiparam por inteiro. Por isso mesmo, continuaremos os nossos esforços para conseguir o melhor resultado possível.
 
 
 
III. A expansão da Universidade
A nossa PUC continua viva e ágil. Mas o seu crescimento é moderado, homogêneo, sem ânsias de gigantismo. Podemos qualificar a nossa Universidade como de tipo médio. Não temos nenhuma graduação em duas das grandes áreas do conhecimento: a das ciências da saúde e a das ciências agrárias e da terra. Nas três grandes áreas em que atuamos – técnico-científica, humanística e social – o nosso crescimento continua firme. Dois novos cursos de graduação que iniciamos nos últimos anos – arquitetura e urbanismo, e relações internacionais – podem ser considerados um verdadeiro sucesso, tanto pela procura quanto pela qualidade do ensino ministrado. Há, porém, incertezas em relação ao bacharelado em Informática, que veio a ocupar o lugar do antigo curso de tecnólogo em processamento de dados e para o qual não parece haver demanda suficiente. E não conseguimos avançar no campo dos cursos seqüenciais, pois o de empreendedorismo não acaba de encontrar um público próprio. No ano de 2005, iniciaremos dois outros cursos: a habilitação em cinema, dentro do Curso de Comunicação Social; e a nova licenciatura em Matemática, que será ministrada na nossa sede da Av. Marechal Câmara e que estará dirigida basicamente à formação de professores para o ensino fundamental. Estão bastante adiantados os estudos para a implantação de um bacharelado em logística, possivelmente no segundo semestre do próximo ano. Já estamos credenciados pelo MEC para ministrar educação a distância, mas, até agora temos limitado a nossa ação nesse campo a cursos de extensão e de pós-graduação lato sensu. Merece destaque o curso de Teologia a distância, que teve e tem acolhida extremamente favorável em muitos pontos do Brasil.

No nível da pós-graduação, podemos dizer que atingimos um novo patamar, pelo número de alunos e pela qualidade. Ao mesmo tempo, continuamos a perseguir a meta de completar a nossa oferta de mestrados e doutorados. Finalmente, após grandes esforços, os Departamentos de Comunicação Social e de Sociologia e Política contam com pós-graduação stricto sensu. É um orgulho contar também com o doutorado em Artes, pioneiro no país.

Nesse campo da pós-graduação, tivemos a grata satisfação de ver que a nossa avaliação pela CAPES melhorou ainda em relação à anterior. Obtivemos as nossas duas primeiras qualificações de nível sete, atribuídas aos programas de Informática e de Engenharia Civil. Há, contudo, problemas pontuais, em relação a alguns programas, cuja qualificação gostaríamos que melhorasse. Os mestrados profissionalizantes continuam a enfrentar problemas nas avaliações da agência governamental. Estamos empenhados em levar adiante esse projeto, que nos parece de alta relevância e tentaremos, uma e outra vez, fazer-nos ouvir nas instâncias competentes.

A expansão do espaço físico se viu freada pela falta de recursos. Apesar disso, estamos completando o bloco 3 do IAG, que entrará em serviço no início do próximo ano letivo. O TecGraf se expandiu, conforme já anunciei no relatório do ano passado, numa ampla sala alugada em frente à nossa entrada principal da Marquês de São Vicente, onde foram instalados mais de cinqüenta postos de trabalho. No mês passado, tive a satisfação de participar do lançamento da pedra fundamental do Centro de Tecnologia de Dutos (CT-Dut), em terreno contíguo à REDUC. É um empreendimento conjunto da Petrobrás, da Transpetro e da PUC-Rio, mas que poderá contar com outros parceiros. 
Continuou também a construção da nossa igreja, já em fase de ornamentação e cada vez mais admirada por todos os que a freqüentam. Durante o verão, será realizada a mudança da divisão de Pastoral Universitária para o subsolo do novo templo, liberando uma área notável para as outras atividades da Universidade. 
Infelizmente, não conseguimos avançar muito na implantação do nosso parque tecnológico. Tivemos percalços sérios, com a revogação, feita no início de junho pelo Prefeito Municipal, do decreto que declarou de utilidade pública, para fins de desapropriação, o terreno do antigo Laboratório Moura Brasil. Graças à nossa ação rápida, provando a falsidade dos documentos em que se baseou a revogação, conseguimos reverter a situação e voltar ao estado anterior. Falta, porém, que a Prefeitura Municipal complete o ato de desapropriação, depositando o dinheiro para tal finalidade. Para tanto, parecem abrir-se novas perspectivas de financiamento. Continuaremos a perseguir essa meta, que, para nós, é vital.
Por outro lado, continuamos a procurar novas fontes de recursos para a nossa expansão. Muito provavelmente, conseguiremos iniciar no novo ano a construção de um grande prédio – cujo projeto já se encontra depositado na Prefeitura Municipal para a obtenção da licença necessária – no terreno de nossa propriedade fronteiro à rua Marquês de São Vicente. Nele, deverá haver uma ampla área de estacionamento, bem maior do que a superfície que será ocupada pela nova construção. As perspectivas de financiamento são francamente favoráveis e espero que as negociações que estamos levando a cabo cheguem a bom termo.
Também estamos tentando arrecadar fundos para uma nova biblioteca. Embora a nossa seja reconhecidamente modelar, dentro do conjunto das bibliotecas universitárias do Rio de Janeiro, está ficando pequena para um acervo continuamente em expansão e para oferecer maiores facilidades aos usuários. Também aqui as perspectivas parecem-nos relativamente favoráveis, não só com a contribuição de uma fundação européia, mas também com a possibilidade de encontrarmos mecenatos específicos.
 
 
IV. A Reforma Universitária
No dia seis deste mês, o Ministro da Educação, numa reunião para a qual convocou exclusivamente Reitores das Instituições Federais de Ensino, apresentou o anteprojeto da Lei de Reforma Universitária, que pensa encaminhar, nos próximos dias, à Presidência da República, para a sua remissão ao Congresso Nacional. O fórum utilizado para esse anúncio já indica a mentalidade de fundo dos seus autores. Dá a impressão de que, para eles, não obstante os princípios inspiradores da nossa Constituição, as únicas instituições dignas do nome de Universidade sejam as federais. Nem sequer as estaduais – entre as quais há algumas excelentes – foram convidadas. O caminho escolhido pelo Ministério parece contraditório. Se se deseja realmente uma expansão do ensino superior, até atingirmos não já os níveis europeus ou norte-americanos de escolarização, mas, pelo menos os dos outros países do nosso continente latino-americano, não se pode começar por dificultar ao máximo, a vida das instituições de ensino que não sejam federais. De modo especial, aquelas que se dedicam a um trabalho sério de pesquisa, como a nossa PUC, deveriam receber, conforme previsto na nossa Carta Magna, o incentivo e o apoio econômico do Governo Federal.
Há bastante tempo, tenho acompanhado toda a evolução das propostas de reforma. Já por duas vezes, participei inclusive nos fóruns promovidos pelo Conselho Nacional de Educação sobre este tema, acerca do qual escrevi quatro artigos no nosso Jornal da PUC. Numa primeira leitura, o projeto de reforma não parece conter nenhum avanço em relação à legislação atual. Ao contrário, ao multiplicar os entraves burocráticos, pode significar uma diminuição da autonomia universitária, que é própria não apenas das instituições federais, mas de toda Universidade digna deste nome. Os dispositivos previstos podem inclusive produzir uma homogeneização das IES que seria lamentável. A flexibilidade reconhecida na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, aprovada após longos anos de discussão, pode ficar grandemente prejudicada. Um dos pontos que mais me preocupa do projeto é que, não obstante tentar diferenciar as instituições comunitárias das de caráter lucrativo e empresarial, quando fala das mantenedoras parece inspirado pela desconfiança a priori em relação a todas elas. Em lugar dos princípios constitucionais de igualdade e de presunção de inocência, dá a impressão de que, no projeto, se presume a ruindade e a culpabilidade de todo o sistema privado de ensino e a excelência e boa administração do sistema público.
Continuaremos a acompanhar o andamento dessa reforma e a oferecer a nossa contribuição desinteressada. Desejaria organizar um grande seminário, onde, com serenidade, possamos examinar pormenorizadamente as propostas do Governo e preparar as emendas a serem enviadas às instâncias competentes, não só do Executivo, mas sobretudo do Legislativo. Embora, infelizmente, a união entre as instituições confessionais e comunitárias deixe muito a desejar, creio que, na medida do possível, devemos unir forças com todas elas, a fim de conseguir um melhor resultado. 
 
V. Prêmios e Honrarias
Durante os sucessivos mandatos que venho desempenhando como Reitor, recebi numerosas condecorações e prêmios. Desejo este ano chamar a atenção para dois deles que me foram outorgados recentemente. O primeiro foi o título de Personalidade Educacional do ano 2004, concedido pela Academia Brasileira de Educação, pela Associação Brasiléia da Imprensa e pela Folha Dirigida; o segundo, o de cidadão honorário do Município do Rio de Janeiro, outorgado pela Câmara de Vereadores, sob iniciativa do vereador Edson Santos. Em ambos os casos, é evidente que não se tratava de honrarias pessoais e sim do reconhecimento da obra da PUC. De modo especial, no segundo caso, pois foi um modo de comemorar dez anos de nossos programas de inclusão social. Por isso, como afirmei em ambas as ocasiões, o merecimento não foi meu, mas de toda a PUC. Foi assim que aceitei essas honrarias, em nome de todos, pois o mérito é de todos.

O reconhecimento público do nosso esforço de integração social, me leva  a lembrar um incidente recente, muito desagradável, que, lamentavelmente tomou proporções absolutamente desproporcionadas á sua impotância. Refiro-me às pichações preconceituosas que apareceram em um dos mais de cento e oitenta banheiros existentes na Universidade. Para ninguém deve haver dúvida da nossa posição. Foi por essa razão que, no meu discurso de agradecimento pelo título de cidadão honorário do Rio de Janeiro, publicado no Jornal da PUC, incluí o seguinte parágrafo: “Somos beligerantes contra qualquer discriminação ou qualquer preconceito e não permitiremos nunca a difusão de ideologias racistas ou exclusivistas. Nesse ponto, o Reitor e os demais integrantes da administração central da Universidade não podem permanecer neutros. Sempre estaremos do lado dos que são marginalizados ou perseguidos, por um motivo ou por outro”. Não é de hoje que estou e estive sempre empenhado no diálogo ecumênico e inter-religioso. Amizade não se demonstra apenas com declarações. Sempre tive e tenho numerosos amigos judeus e formo parte da Fraternidade Cristão-Judaica do Rio de Janeiro. Tenho promovido numerosos atos de diálogo e compreensão mútuos. Acho que não preciso demonstrar a minha atitude em assuntos dessa natureza. Ela é clara e firme, ao longo de muito tempo. Graças a Deus, tal incidente pare hoje completamente superado, num espírito de paz e harmonia, numa procura conjunta da fraternidade autêntica.

 

 

VI. Umas Palavras finais

Poderíamos ainda falar de muitas coisas; da ação tão dinâmica da nossa pastoral universitária; da nossa colaboração ativa com a Arquidiocese do Rio de Janeiro; da multíplice atividade do Centro Loyola de Fé e Cultura; da expansão do nosso intercâmbio internacional; do labor tão meritório da nossa Editora; dos numerosos prêmios recebidos por professores e alunos. Mas o tempo é curto e para não prolongarmos mais este encontro, por assim dizer, familiar, me vejo obrigado a deixar de lado todos esses aspectos.

Por isso, só falta manifestar o agradecimento maior a Deus, que, uma vez mais, manifestou a sua Providência sobre a nossa Universidade. Nele confiamos e continuaremos a confiar, para continuarmos essa tarefa tão bela que é a educação, para o bem dos nossos alunos e de toda a sociedade. Ao mesmo tempo, desejo a todos os aqui presentes, aos membros da comunidade PUC e aos seus familiares, um feliz Natal e um ano 2005 cheio das bênçãos de Deus.

Muito obrigado!

Rio de Janeiro, 15 de dezembro de 2005.

 

 

                                                           Pe. Jesus Hortal Sánchez, S.J.

                                                                     Reitor da PUC-Rio


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