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Com incerteza, PIB pode sofrer 3º ano de queda

19/05/2017

Tipo de Clipping: WEB

Data: 19/05/2017

Veículo: Ademi


As denúncias contra o presidente Michel Temer paralisaram a economia e podem fazer o Brasil viver seu terceiro ano seguido de recessão, afundando o país numa depressão. O ano de 2018, de eleição presidencial, também terá seu crescimento comprometido, num momento em que os analistas já estavam prevendo expansão de até 4%. Os departamentos econômicos de bancos e corretoras já preparam revisões de suas estimativas para diversos indicadores:
- Estávamos prevendo 1% de crescimento este ano (a média do mercado é 0,5%), com impacto forte do agronegócio. Mas, agora, poderemos ter mais um ano recessivo. Estamos fazendo uma grande revisão de tudo. Se houver uma solução rápida, com novo governo em um mês, o PIB ficará próximo de zero este ano e haverá crescimento em 2018. Se não, teremos recessão de novo este ano, e o desemprego pode chegar muito fácil a 15% ou até 17%, comprometendo o crescimento de 2018 - afirmou o economista-chefe da MB Associados, Sergio Vale.
As delações de Joesley Batista já tiraram do radar as reformas da Previdência e trabalhista. O relator no Senado do projeto de lei que muda a CLT, senador Ricardo Ferraço (PSDB-ES), já suspendeu a tramitação do projeto. E o relator da reforma da Previdência, deputado Arthur Maia (PPS-BA), avisou que não há mais espaço para a votação da medida.
- As incertezas vão gerar volatilidade, porque elas aumentam a recessão, segurando juros e inflação baixos. Quando as reformas voltarem a tramitar, essa incerteza já se reduzirá bastante - opina Carlos Thadeu de Freitas, ex-diretor do Banco Central e economista chefe da Confederação Nacional do Comércio, Bens e Serviços (CNC).
- Não acredito no pior. As instituições brasileiras estão funcionando. Temer não tem condições morais e éticas para continuar. Espero que essa transição ocorra por meio de eleição indireta e que seja escolhida uma pessoa bem qualificada num processo que não demore mais de 60 dias. É claro que piora um pouco a expectativa para o PIB deste ano, mas o impacto vai depender do tempo de transição. Quanto menor, melhor - complementa Luiz Roberto Cunha, economista da PUC-Rio.
REVISÃO DO DÉFICIT
Silvia Maria Matos, economista da Fundação Getulio Vargas (FGV), não descarta que o país venha a viver um terceiro ano de recessão. A fundação ainda não revisou sua projeção para o PIB deste ano, que está em 0,3%, mas agora o viés é de baixa:
- A incerteza vai aumentar em meio a um cenário de fraqueza do crescimento. Investimentos serão postergados, e leilões e concessões vão ficar em suspenso, que poderiam salvar um pouco a atividade. Se isso permanecer sem solução rápida para acalmar o mercado, que realmente está nervoso, e os preços dos ativos já mostram isso, fica prejudicada a queda de juros e pode bater na inflação, desancorando expectativas. Essa denúncia é uma bomba no meio de um deserto em que estavam surgindo pequenos sinais de vida.
Thais Marzola Zara, economista-chefe da Rosenberg Associados, não descarta que o PIB volte ao terreno negativo. O crescimento esperado para o primeiro trimestre já está dado, com a expansão forte do agronegócio:
- A safra cresceu 25% e puxa outros setores da economia.
Silvio Campos Neto, economista sênior da Tendências Consultoria, diz que a recuperação que se desenhava era incipiente e se intensificaria somente nos próximos trimestres, porque as reformas estavam passando; a inflação, desacelerando; e a política monetária fazendo efeito sobre os juros. A denúncia, no entanto, trouxe incertezas a respeito da manutenção dessa combinação de condutores da retomada:
- Os investimentos não vão voltar como era esperado, não sabemos como o mercado vai precificar os ativos brasileiros, principalmente por causa do câmbio. Não temos como prever quanto ele vai subir e se permanecerá num patamar alto. Mas há risco de contágio da inflação, que, se crescer, pode levar o Banco Central a reduzir menos os juros.
Segundo Vale, da MB Associados, três anos seguidos de recessão vão fazer um "estrago profundo nas empresas":
- As empresas não aguentam um período tão longo, estão sem fôlego algum. As recuperações judiciais podem voltar a crescer, é um grande drama.
Diante do agravamento da crise e da paralisação da economia, os economistas também acreditam que o governo será obrigado a rever as metas de déficit fiscal, de R$ 139 bilhões este ano e de R$ 129 bilhões em 2018.
- Ou teremos que cortar mais gastos ou aumentar impostos - diz Vale.
Pedro Guilherme Costa Ferreira, economista responsável pelo índice que mede a incerteza do país do IBRE/FGV e autor de um estudo sobre o tema, diz que a delação envolvendo o presidente afetará bruscamente o índice, que, apesar de ainda ser considerado alto - está em 118,8 pontos - vinha caindo desde julho do ano passado, quando estava em 138 pontos.
- O que aconteceu antecipou e potencializou o temido cenário de incerteza que poderia ocorrer ano que vem, por causa do período pré-eleitoral. As coisas que contávamos que iriam acontecer, não sabemos mais se vão acontecer ou acontecer muito depois, como a reforma da Previdência. Os estrangeiros estavam voltando a investir, o risco-país estava caindo. Esse episódio pode causar uma quebra de confiança dos investidores estrangeiros. A solução tem de ser a mais rápida possível. A pergunta é: quem vai entrar no lugar de Temer? Seria propício um candidato que dê continuidade à política econômica que está em andamento.
A incerteza, ressalta Ferreira, é o maior paralisador da economia, porque, sem saber o que virá pela frente, consumidores não gastam e empresários não investem nem contratam esperando uma definição de cenário.
- Houve uma incredulidade tão grande sobre esse acontecimento que o mercado (ontem) ficou uma hora sem conseguir fazer negócio, porque ninguém sabia como colocar preços. A pior coisa que pode acontecer é a incerteza, porque não se consegue calcular o custo das coisas. É como se a economia fosse um avião bimotor que entrou numa nuvem muito difícil de ser atravessada, sem visibilidade alguma. É rezar para não cair - analisa o economista-chefe do Banco ABC, Luis Otávio Leal.
Freitas, no entanto, diz que o Banco Central tem total condições de gerenciar essa crise porque tem "gordura cambial para queimar":
- O país está bem em moeda estrangeira. A balança comercial está favorável, tem reserva cambial, juros altos, estoque de swaps para conter a desvalorização do real. A crise em dólar não existe e, independentemente de quem estará na presidência do Banco Central, hoje há uma racionalidade daquilo que é certo ou errado, e o mercado é quem vigia o BC. Não dá para ser irracional.


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