Jornal do Brasil Site: Jornal do Brasil
Data: Quarta Feira, 28 de Março de 2012
Hora: ___
Seção: ___
Autor: Maria Clara Bingemer
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O papa em Cuba: renovação e esperança
29/03/2012
O mundo acompanha com curiosidade e atenção a visita do papa Bento XVI a Cuba. Após a visita de seu antecessor, João Paulo II, que levou às ruas da ilha caribenha verdadeiras multidões, a visita de Bento XVI igualmente levanta interesse e resposta intensa da população cubana.
Já mesmo antes da visita de Bento XVI à ilha, a movimentação feita pela Igreja Católica em torno da celebração dos 400 anos de devoção à Virgen de la Caridad del Cobre (Cachita, como a chamam carinhosamente os cubanos) se fazia sentir. Em cada cidade por onde passava a imagem da Virgem, as ruas se enchiam de peregrinos que a seguiam com orações, cânticos e alegria.
Assim também acontece com a visita papal. O povo cubano, que havia mostrado sua alma religiosa durante a visita do papa João Paulo II, faz o mesmo com este. Sai às ruas e acompanha os discursos, missas e gestos do pontífice com respeito e atenção carinhosa. E todos que se puseram à escuta do homem de branco que se dirigiu ao santuário de Cachita — a virgem mambisa —, em Santiago de Cuba, ouviram o que ele narrava de sua oração à padroeira da ilha: “Fazei saber, a quantos se encontram perto ou longe, que confiei à Mãe de Deus o futuro da sua pátria, pedindo-lhe que avance por caminhos de renovação e de esperança para o maior bem de todos os cubanos”.
Como de costume, Bento XVI aplica sua inteligência e percepção na visita pastoral que realiza, evitando provocações, conflitos, e avançando com extrema prudência nas mensagens que deseja que finquem raízes no coração dos fiéis. As palavras acima deixam claro que o papa entende que a ilha vive neste momento um processo novo. Não apenas tem um novo governante, não mais aquele que a regeu por quase 50 anos e que, apesar de seguir a mesma linha do irmão e predecessor, imprime um estilo diferente a muitos aspectos da vida da ilha, mas também abre novos caminhos para a vida de seus habitantes.
A Cuba de hoje é diferente em muitos pontos da que João Paulo II encontrou em 1998. O governo estuda seriamente uma reforma econômica, da qual alguns efeitos já se fazem sentir, sobretudo na permissão de adquirir bens duráveis de consumo, como automóveis; ou de usar telefones celulares. Igualmente, a situação dos dissidentes e presos políticos tem conhecido alguns avanços, tendo sido postas em liberdade pessoas que se encontravam há bastante tempo no cárcere.
A Igreja, longe de estar afastada do diálogo com o governo cubano, hoje é interlocutora privilegiada do mesmo. O hábil cardeal de Havana, Jaime Ortega, vive relação de estreita proximidade e mesmo amizade com o presidente Raúl Castro. Articulador de toda a visita papal, o cardeal tem atuado com extrema prudência e habilidade, empenhando-se em jamais romper o diálogo iniciado e mantendo uma atitude respeitosa e aberta diante do regime.
Isto, sem dúvida, tem contribuído para abrir brechas para a atuação da Igreja, que passa a ser olhada com abertura e mesmo simpatia pelos membros do governo, facilitando a atuação pastoral e a organização dos organismos eclesiais na ilha. Bento XVI, sem dúvida, está informado e consciente disso. E em sua visita adota este mesmo tom respeitoso e prudente, conclamando os fiéis que o escutam a uma atitude positiva, de esperança e colaboração, para uma abertura que parece despontar no horizonte e pela qual todos anseiam.
Os cubanos são um povo digno e consciente de seu valor. Ao mesmo tempo, cientes das conquistas positivas que sua revolução e seu sistema político alcançaram, e das quais não desejam abrir mão. O fato de estarem dispostos a realizar reformas demonstra uma atitude madura de quem sabe não haver ainda atingido o que seria ideal em muitos aspectos. Mas, ao mesmo tempo, não toleram que se lhes imponham coisas e atitudes desde fora e de forma arbitrária.
Bento XVI, homem inteligente e perspicaz, percebe esse ambiente, que é o pano de fundo de sua visita. E discursa sobre a excelência da liberdade que todos respeitam, até mesmo o próprio Deus. E em seu discurso de chegada deixa registrado que na ilha, desde a visita de seu predecessor, inaugurou-se uma nova etapa nas relações entre a Igreja e o Estado cubano, em termos de maior colaboração e confiança. Porém, acrescenta que há ainda muitos aspectos nos quais é possível avançar, “especialmente no que diz respeito à contribuição imprescindível que a religião é chamada a prestar no âmbito público da sociedade”.
Certamente a visita pontifícia será um passo importante e positivo neste avanço. É o que esperamos todos que olhamos para a pérola do Caribe com confiança e esperança.
Maria Clara Lucchetti Bingemer, professora do Departamento de Teologia da PUC-Rio, é autora de 'Simone Weil - A força e a fraqueza do amor' (Ed. Rocco)

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