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Tipo de Clipping: Web 

Data: 14/06/2017

Veículo: Brasileiros

Conversa com o moço da espiadinha
14/06/2017

Conhecido por apresentar o Big Brother Brasil durante 14 anos, Pedro Bial tem um passado ofuscado pela fama conquistada no reality show. Antes de seguir a “lei do mercado”, como ele mesmo disse, e se tornar uma das figuras mais conhecidas da televisão, foi jogador de basquete profissional e correspondente internacional em Londres pela rede Globo, durante oito anos.

Em uma mesa no canto de um restaurante tradicional de São Paulo, o Rei do Fillet, conhecido pelo famoso Fillet do Morais com agrião, Pedro Bial, um dos apresentadores mais icônicos da televisão brasileira, aguardava a reportagem da Brasileiros tomando uma cerveja gelada aproveitando seu dia de folga após uma maratona de gravações do novo programa “Conversas com Bial”. Conhecido por apresentar o Big Brother Brasil durante 14 anos, o jornalista tem um passado ofuscado pela fama conquistada no reality show. Antes de seguir a “lei do mercado”, como ele mesmo disse, e se tornar uma das figuras mais conhecidas da televisão, Pedro Bial também foi jogador de basquete profissional e correspondente internacional em Londres pela rede Globo, durante oito anos.

A trajetória do apresentador é tão diversificada que antes de iniciarmos a conversa ele se levantou e foi ao banheiro jogar uma água no rosto. “Fico nervoso quando tenho que falar de mim”.

De correspondente internacional a apresentador do BBB. Do “hard news” para o entretenimento. Da adrenalina dos campos de guerra para o climatizado ar condicionado dos estúdios da Rede Globo. Um personagem que coleciona muitos fãs, mas também críticos. Para conseguir encarar todas essas mudanças, Bial se diz “adepto à psicanálise”.

Quando correspondente, o jornalista que beirava os 30 anos viu o século XX cair em suas mãos. Ele cobriu o colapso da União Soviética, a Guerra do Golfo, assim como diversos conflitos na Europa oriental, como e de Sarajevo, na Sérvia, onde ficou mais de 20 dias e conta que foi sua pior experiência de guerra na vida. Entrou ao vivo na frente do Portão de Brandemburgo, durante a unificação da Alemanha. E ainda, foram oito anos de trabalho em Londres que lhe custaram o casamento. “E eu achava que nunca voltaria. No último ano me saparei, não há companheira que suporte uma vida dessas”.

Durante o período fora do Brasil, o então repórter passou a lidar com a fama, que até então lhe era desconhecida. Quando eu estava fora era preservado dessa compreensão de ser uma pessoa pública, principalmente porque não existia internet. Foi muito difícil voltar, porque entre outras coisas que aconteceram, rolou um deslumbramento. Até cair a ficha eu dei uma deslumbrada e foi um preço pessoal muito grande que paguei. Sou um adepto da psicanálise desde sempre e procuro me tratar. Mas a crise, quando eu voltei para o Brasil, foi tão profunda que eu tive que ir para psiquiatra mesmo. Entrei em depressão, tomei remédio. Isso me salvou. Eu ia me foder.

Em seu regresso, Bial conta que passou por duas transições muito difíceis em sua carreira. A primeira foi o desafio de superar uma guerra: Você não passa impunemente pela cobertura de uma guerra, um terremoto. Aquilo fica. Você passa o dia em um submundo, um inferno, e quando você volta para casa, não tem interlocução possível, ninguém vai entender de onde você veio. Estou terminando de montar um filme sobre a vida dos agentes penitenciários, e tem um entrevistado que descreve esta sensação de maneira linda. Ele conta: ‘teve um dia que fiquei como refém, me deram porrada, botaram faca no meu pescoço, decapitaram um cara na minha frente. Eu cheguei em casa e contei para minha mulher tudo que tinha acontecido. Ela respondeu: Fiz macarrão’. São experiências que você não consegue compartilhar.

A outra difícil adaptação foi aos estúdios de televisão para onde foi designado após o regresso ao Brasil. A minha volta ao Brasil foi um baque pessoal e profissional. Não foi o BBB, foi o Fantástico. Voltar da correspondência para apresentar o Fantástico me deixou muito desconfortável. Eu não entendia. Estava formado muito careta na escola de correspondente BBC. Aí eu tenho que apresentar um programa que mistura notícia e entretenimento. Foi difícil.

Depois de três anos no Fantástico, foi convidado para apresentar o Big Brother Brasil, o maior reality show da história da televisão brasileira. Foi aí que sua carreira começou a tomar outro rumo. Sua imagem ficou muito mais conhecida no País, mas ao mesmo tempo, as críticas ao novo posto começaram a pipocar. Como um correspondente internacional com uma bagagem jornalística desse tamanho se submeteu a apresentar um reality show? A resposta foi simples: “é a lei do mercado”.

Durante 14 anos, exerceu o posto de apresentador do programa, onde, entre outras coisas, popularizou o bordão “vamos dar uma espiadinha”, e agora, no seu primeiro ano fora do aquário, consegue entender as críticas que lhe foram feitas. Na profissão a gente tem missões e o BBB foi assim. Me deram uma missão e eu fui cumprir. Me emburaquei. Hoje até entendo melhor o tanto de porrada que tomei. Eu percebi que havia um amor nas porradas no sentido de que o correspondente traiu a todo mundo. As pessoas se sentiram traídas. Como é que o Bial vai fazer esse programa? Eu vi nobreza no BBB, eu vi nobreza em fazer aquilo. Falei com tipos de públicos, com classes que nunca tinha falado na vida. Mas agora, quando vi de fora pensei: Dá para entender porque as pessoas estavam dando tanta porrada. Mesmo assim é horrível apanhar. Eu comprei minhas piores versões sobre a minha própria pessoa. Comecei a acreditar que eu era um merda, um vendido. 

O divisor de águas para o atual momento de Pedro Bial foi o programa “Na Moral”, quando ele ainda apresentava o “BBB” e tentou ressuscitar sua veia jornalística. Se não tivesse rolado o “Na Moral”, não teriam me chamado para fazer o “Conversas”. Eu estava há oito anos fazendo “BBB” e pensei: Se eu não criar alguma coisa, acabou. Eu tenho que juntar o correspondente que eu fui com esse apresentador do “BBB” e surgiu o “Na Moral”. Uma diretriz do “Na Moral” que eu trouxe para o “Conversas”, é evitar a macro – política e ir para a micro – política.

O Conversas com Bial tem tomado boa parte de seu tempo. Agora o apresentador se divide entre São Paulo e Rio de Janeiro. Feliz com a repercussão do lançamento de seu novo programa, ele conta que vem trabalhando duro. Eu estou muito no limite, porque neste começo de temporada fiquei muito sobrecarregado, tendo que fazer coisas que se continuar, vou pifar fisicamente. Ontem gravei três programas, anteontem três programas também. E cada programa desse a gente grava perto de 50 minutos para botar no ar. E a loucura de no mesmo dia você ter de mudar o canal. Ontem, os primeiros foram Clarice e Ivo Herzog, Miriam e Matheus Leitão, para falar de memórias da ditadura. Imagina o peso desse programa? Ai disso, um programa com Marcel, Raulzinho e Davi, um publicitário que tem a tese de que o basquete que a NBA joga hoje é fruto do basquete brasileiro no Pan de 87. E no último programa, o Nando Reis. Então imagina…

Aos 59 anos, Bial entra em uma nova fase de sua vida. Pai de cinco filhos, o apresentador se casou com a jornalista Maria Prata em 2015 e aos 59 anos espera seu sexto filho, a pequena Laura. Eu to achando muito legal ser pai a essa altura do campeonato, tão achando tão inusitado. Com 60 anos eu vou estar trocando fraldas que não as minhas. 

Origem

Filho de imigrantes alemães que fugiram para o Brasil durante a Segunda Guerra Mundial, Bial foi criado no Rio de Janeiro. Companheiro de classe do cantor Cazuza no colégio Santo Ignácio, foi apresentado ao jornalismo da melhor maneira possível. Aos 11 anos de idade tinha como dever de casa fazer uma entrevista com algum desconhecido. Foi então que João Araújo, pai de Cazuza, levou os meninos para entrevistar nada mais nada menos, do que o poetinha Vinícius de Moraes. A gente ficou de 10h da manhã até 10h da noite e o Vinicius nos deu um porre. Deu whisky pra gente. Foi a primeira entrevista que eu fiz na vida. Foi um bom começo de carreira. 

Com 1,92m de altura, foi jogador profissional de basquete pela seleção brasileira e pelo Fluminense, time do qual é torcedor fanático devido às influências de seu pai. “O meu pai era viciado em corrida de cavalo. Ele trocou os cavalos pelo Fluminense. Uma vez a gente foi para Campo Grande assistir a um jogo e o estádio estava lotado e só entravam sócios do clube mandante. Ele comprou os títulos do clube para assistirmos o jogo. O Fluminense perdeu”.

Questionado sobre trocar o basquete pelo jornalismo, Bial passa a bola para Oscar Schmidt, um dos maiores jogadores da história do basquete brasileiro. “Quando entrei em quadra para joga contra o Oscar, percebi que aquilo não era para mim”.

Formado em jornalismo pela PUC-RJ, o estudante teve bolsa para cursar a universidade. Metade pelo basquete e metade pelo governo alemão, que pagava uma “compensação de guerra”, pois seus pais tiveram que deixar a Alemanha durante o nazismo.

O recém-formado jornalista entrou na Rede Globo por um processo seletivo e começou sua carreira no “Jornal Hoje”. Foi então que surgiu um convite para participar de um novo canal de televisão, A TV Corcovado. Eu tinha 28, 29 anos, e já estava há quatro anos apresentando o Globo Repórter. Aí o Walter Clarck, que nessa época já estava bastante decadente, ia fazer a TV Corcovado, uma nova TV local, e me convidou para fazer um programa diário de auditório. Aí falei para a Globo que ia. Então o Armando Nogueira, meu diretor, me procurou e falou: Que tal Londres? Eu fui o único beneficiado pela TV Corcovado. Ela só ficou três meses no ar. Mas foi 

graças à ousadia.

Pelé, o nome que salva vidas

Em umas das coberturas de guerra, Bial foi a Angola em 1992 cobrir as primeiras eleições livres, que tinham dado errado. Ele conta que o país estava uma zona, como tiroteios na rua e corpos estendidos no meio da capital Luanda. Durante a cobertura fomos abordados em uma estrada no meio do nada por um grupo de rebeldes que queria matar o nosso motorista, que no caso era angolano. “Pegaram nosso motorista que era de uma etnia oposta à deles e queriam matá-lo. Na hora comecei a falar com o guerrilheiro e consegui. Não mataram o cara. Levaram ele para um casebre do lado da estrada para interrogá-lo. Nessas horas você tenta desanuviar. Aí o Paulo Pimentel, que estava de câmera disse: Somos Brasileiros, Brasil, Pelé, o nome que salva vida da gente em tudo que é lugar. Aí o menino, que tinha sido criado no meio do mato, perguntou: Quem é Pelé? Eu pensei, fudeu, vamos morrer aqui. No final liberaram nosso motorista e seguimos viagem

Outro episodio de guerra relatado pelo correspondente foi na Copa do Mundo de 1994, quando estava em Sarajevo, na Bósnia. Os sérvios e os mulçumanos torciam pelo Brasil. Foi a trégua não declarada onde todo mundo parava para assistir o jogo do Brasil.

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Livro do Roberto Marinho?

Além do BBB, outro episódio polêmico na vida de Pedro Bial foi o livro sobre “Roberto Marinho”, encomendado pela família do empresário fundador da Rede Globo e lançado em 2004. Hoje o autor do livro vê uma atitude reativa quase infantil da obra. Tinha uma atitude defensiva que não me foi pedida pelos filhos. Ninguém pediu para eu defender o Roberto Marinho, mas para dar sentido àquilo, apontei umas coisas defendendo o cara, que não precisava narrar. Eu acho uma história fascinante. O cara não era o diabo. Não adianta você querer demonizar um cara que foi o maior empresário da história da comunicação brasileira. Não da nem para comparar o Roberto Marinho com o Chatô.

De que lado você samba

O “fla-flu ideológico” é uma pauta que chama muita atenção na atual conjuntura do País, e para Pedro Bial isso se torna ainda mais presente devido ao seu novo programa e os respectivos convidados. Em uma de suas entrevistas, perguntou a Ney Matogrosso se tinha sido impeachment ou golpe contra a Dilma Rousseff e no dia seguinte acordou com um linchamento virtual do MBL, que afirmava que o apresentador tentou induzir a resposta de Ney, afirmando que ele era esquerdista. A TV Globo esquerdista? É muita obtusidade, conta aos risos.

Em meio a essa polarização, Bial acredita que em seu programa pode chamar pessoas de diferentes ideologias para tratar dos temas atuais. E mesmo com essa crise que assola o Brasil, ele admite que o mundo “nunca esteve tão bom”. Você pega o último século, a diminuição da pobreza absoluta é muito significativa, é enorme. Tem um monte de indicador bacana. No varejo é deprimente, mas você tem que olhar o atacado. As pessoas são tão apegadas a suas convicções e suas crenças que não tem o mínimo de compaixão pelas pessoas que sofrem com isso.

Entrando na polarização de esquerda e direita, o apresentador assumiu estar mais para a direita, mas acha tal distinção irrelevante para os dias de hoje. Eu não sou de esquerda. Mas também não me sinto à vontade para dizer que sou de direita. Se você me pressionar, vou dizer que estou mais para direita. Pergunte como o Fernando Gabeira pensa. Eu penso um pouco como ele. Eu tenho o Gabeira como um farol. Se você me botar contra a parede eu vou mais para direita, mas acho isso quase irrelevante, por incrível que pareça. Uma vez que a esquerda não é o bem absoluto, a direita deixa de ser o mal absoluto. O ser humano que Shakespeare descreve é o mesmo que somos hoje.

Arrependimentos

Entre as mudanças drásticas de sua caminhada, o apresentador também se arrepende de algumas coisas que fez ao longo de sua vida, ou melhor dizendo, falou: A gente que trabalha com a palavra e tem o gosto de dizer coisas. A gente descobre que tem um talento para dizer as coisas, quando a gente diz e machuca. Eu me arrependo muito de ter machucado gente com coisas que eu disse. 

O jornalismo

Com quase 40 anos de carreira, a principal conquista para o apresentador são seus filhos, que ditam o sentido de sua vida. Prestes a ser pai novamente, Pedro Bial concentra suas energias na gravidez de sua mulher e em seu novo programa. Ainda revelou que ano que vem pretende publicar um livro de poesias que escreveu ao longo de sua vida, e inclusive declamou uma delas para a reportagem da Brasileiros. Durante a entrevista, quando questionado sobre o que é ser um jornalista, o apresentador abriu o bloco de notas do celular e leu em voz alta o primeiro parágrafo do livro O jornalista e o assassino, de Janet Malcolm, que tem gravado em seu celular: Qualquer jornalista que não seja demasiado obtuso ou cheio de si para perceber o que está acontecendo sabe que o que ele faz é moralmente indefensável. Ele é uma espécie de confidente, que se nutre da vaidade, da ignorância ou da solidão das pessoas. Tal como a viúva confiante, que acorda um belo dia e descobre que aquele rapaz encantador e todas as suas economias sumiram, o indivíduo que consente em ser tema de um escrito não ficcional aprende — quando o artigo ou livro aparece — a sua própria dura lição. Os jornalistas justificam a própria traição de várias maneiras, de acordo com o temperamento de cada um. Os mais pomposos falam de liberdade de expressão e do “direito do pú- blico a saber”; os menos talentosos falam sobre a Arte; os mais decentes murmuram algo sobre ganhar a vida.


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